domingo, 1 de junho de 2008

Conclusão do Mito do "Preste João"

Conclusão do Mito do "Preste João"


Em suma, o mito do “Preste João” influenciou toda a Europa do século XII ao século XIV, e levou-a à descoberta de novas culturas e a novos conhecimentos. Foi somente no século XV, que a Europa localiza e contacta com o até então mítico reino, o qual passa a existir de facto. Deixando de ser a lenda pouco precisa e sonhadora dum reino do tipo de Shambala, dado que para a Europa passou a ser um território soberano, com fronteiras bem demarcadas, o qual, durante o século XV, chegou a enviar embaixadores ao Ocidente, nomeadamente a Roma, e a alguns estados europeus, e de entre eles, a Portugal.

Por outro lado, a hipótese de que a insistente procura do lendário reino do “Preste João” se alicerçava numa política de concepção estratégica de alianças para conquista e domínio do mundo islâmico, não parece ser muito correcta. Primeiro, porque os portugueses tinham como costume fazer e cumprir as suas alianças em toda a parte, independentemente da fé e do credo dos seus parceiros. Então! O que levou os portugueses a querer encontrar o lendário reino do “Preste João”? Para além dos interesses dos círculos da Ordem do Templo já mencionados! Pois bem, o outro factor que é apontado pelos investigadores como sendo o catalizador da procura do reino do “Preste João” foi o comércio. Sabemos que naquele tempo, qualquer contacto entre a Europa e a Etiópia eram difíceis devido à distância e à hostilidade dos povos vizinhos. Por outro lado, sabemos também que apesar dos contactos serem difíceis e perigosos, mesmo assim, houve contacto e comércio nos séculos que precederam a chegada dos portugueses. Há até um registro nos arquivos de Goa, datado de 1130, que dá conta da vinda à Europa dum grupo de 30 etíopes em missão diplomática. E, através deste registo, sabemos que a Europa já tinha há muito tempo conhecimento que o cristianismo etíope era de natureza essencialmente copta, o que reforça os interesses dos círculos iniciáticos da Ordem do Templo, mas que por outro lado, justificam o pouco entusiasmo da Igreja de Roma por aquele reino.

Em suma podemos afirmar que o mito do “Preste João” surgiu como uma desesperada resposta da Europa ao cerco que lhe fora feito pelas forças do Islão. Encontrar um aliado que atrás das linhas inimigas pudesse afrouxar a pressão que aquela sentia, era fundamental e por todos desejável. Esse aliado, de certo modo acabou por ser encontrado nos vários grupos cristãos primitivos do Oriente. Que isolados do mundo Ocidental pelo “império” muçulmano, contribuíram de certo modo para que o reino do “Preste João” fosse localizado nas mais variadas partes do Mundo. Deste modo, aquele lendário reino não foi alheio ao contexto histórico de cada momento. Por exemplo: na altura das Cruzadas predominou a tendência para o localizar na Ásia, enquanto que durante a época dos Descobrimentos, a sua localização tornou-se mais conveniente em África. Mas, tendo aquele mítico reino sido real ou um mero produto da imaginação medieval, o que é certo é que o lendário rei-sacerdote acabou por ser um verdadeiro aliado da cristandade, uma vez que provocou a sistemática procura do seu reino, que sem qualquer dúvida, foi um grande incentivo para o fim da Idade Média e um catalizador para a expansão europeia no Oriente.

Para a Lusitânia, o mítico reino também teve uma grande importância, dado que a chama Lusa veio a iluminar o Mundo. Precisamente a mesma chama que sobrevivera à anexação da antiga Lusitânia pelo Império Romano. A mesma chama, que renascera no século XII, e com a força e com a sabedoria da Ordem do Templo, fundou o reino de Portugal. A mesma chama que pela mão da Ordem de Cristo e dos seus cavaleiros iniciados se expandiu no mundo. A mesma chama que teimou iluminar as décadas do domínio castelhano. A chama que se manteve acesa nos séculos que se seguiram, de governação bem intencionada. Contudo, existem razões para acreditarmos que aquela chama Lusa sobreviverá à integração deste país na união que agora se forma, uma vez que todas as parcelas do mundo lusíada que estão espalhadas pelo globo, pela pátria mãe, continuarão a iluminar e a mostrar o seu caminho. Aliás, a resistência da cultura Lusa face à pretensão da sua integração na Europa, está na simbologia das moedas da própria Europa materialista e carecida de valores morais, onde, a chama Lusa teimou em deixar o seu rasto que dá fé da sua resistência. Pois, face às doze estrelas da bandeira da União Europeia, encontram-se em linha defensiva os sete castelos e os cinco escudos da bandeira portuguesa. Os próprios castelos estão contrários às estrelas e estruturam-se como se fossem uma barreira à Europa materialista, mesmo que simbólica. Por outro lado, no coração da moeda, o símbolo que nos faz recordar o sinal de validação de D. Afonso Henriques, que fora utilizado em 1159 no documento de doação da região de Ceras aos Templários. Ou seja, o símbolo do nascimento de Portugal e da pura integridade Lusa. O núcleo que é defendido pelas torres e pelos escudos pátrios, para que Portugal tenha em cada português a chama Lusa sempre acesa.










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