domingo, 1 de junho de 2008

Os Tártaros como Guerreiros do Mítico "Preste João"

Os Tártaros como Guerreiros do Mítico “Preste João”


A lenda do “Preste João” também poderia ter surgido das movimentações tártaras, uma vez que à data das primeiras notícias sobre o mítico soberano, uma tribo turco-mongólia: Kara Kitai, comandada por um tal Ye-liu Ta-che, conquistou Samarcanda (em 1137) e, veio a obter uma grande vitória sobre o sultão seldjúcida do Irão Ocidental (em1141).

As notícias das vitórias destes inimigos do Islão poderiam muito bem ter levado a Europa a confundi-los com um povo cristão, sendo também bem provável, que tivessem combatido nas hordas de Ye-liu, tribos cristianizadas, como também não está posta de lado a possibilidade dos Kara Kitai, serem eles próprios cristãos. No entanto, o que nos interessa para a nossa crónica, é que reza a tradição que este Ye-liu Tache terá usado o título de Gur-Khan, nome que em árabe se pronunciaria Yuhanan, o qual, poderia mais tarde ter sido latinizado para Johannes, donde derivou o nome de João.

Na verdade, o título de Gur-Khan foi utilizado pelos sucessores de Ye-liu Ta-che, mas, também é possível que a componente Khan (rei), tivesse figurado em qualquer título que lhe tenha sido atribuído. Ora, para além de Khan poder ter sido deturpado para Yuhanan, poderia também ter sido facilmente confundido com Kham (sacerdote). Assim, pela possível confusão que o título Kham ocasionou, é possível que tivesse surgido a condição de rei-sacerdote.

Assim, a possível confusão originada pelo título de Khan, foi muito oportuna e muito conveniente para os cristãos, uma vez que sendo a Sabedoria divina, aquele rei cheio de talento, magnificência e saber, só poderia estar abençoado pelo seu Deus. Logo, o nome de João, nome cristão por excelência, foi para eles muito oportuno, como também oportuno foi, o facto de ser um sacerdote, que sem dúvida, só poderia ser um sacerdote da sua fé. Pela junção da sua condição com o nome de João, veio a derivar o nome de “Preste João”, pelo qual viria a ser conhecido em toda a cristandade.

Outros narradores ainda mais ousados na sua crença e na sua fé, identificaram-no com João, o Evangelista, de quem Cristo dissera que não morreria até que Ele voltasse. E como Cristo ainda não retornara, “Preste João” só poderia ser João, o Evangelista. E tanto mais, que para reforçar aquela tese de fé, parecia que aquele mítico rei estava imune ao tempo e à idade.

Seja como for, o mito do “Preste João” surgiu numa altura em que a Europa se encontrava sitiada pelas forças do Islão. Desde a Ásia Menor, até ao Norte de África e, ainda por cima com uma boa parte da península Ibérica a servir como “ponta de lança” a um possível avanço dos “infiéis”, pelo que todos os europeus desejavam ardentemente que surgisse um aliado poderoso, que atacasse este implacável inimigo pela retaguarda, a fim dos aliviar da pressão que a todo o momento sentiam.

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