domingo, 1 de junho de 2008

O Segredo Exotérico do Mito

O Segredo Exotérico do Mito


Muitos são os documentos que nos dão o testemunho da implicação que a Ordem de Cristo teve no projecto dos Descobrimentos portugueses, nomeadamente, nos quarenta anos em que o Infante D. Henrique governou a Ordem. Aliás, esses documentos possibilitam-nos considerar que a Ordem do Templo foi para os Descobrimentos portugueses tão determinante, como fora nos séculos anteriores a Ordem do Templo para a formação do reino de Portugal. Contudo, embora o Infante D. Henrique se tivesse distinguido como o grande arquitecto e o grande impulsionador da epopeia marítima portuguesa, aquela nunca poderia ter ocorrido, se todo um povo nela não tivesse activamente participado, o que só eleva e engrandece a história de Portugal.

Mas, será possível que um homem modelador de mitos e, um materializador de ideais, enviasse embarcações muito caras e homens altamente qualificados, preparados e treinados, somente para verificar a veracidade duma velha lenda? Ou, será que há uma outra razão, mais forte e secreta, que levou os construtores da epopeia marítima portuguesa a procurar o lendário reino do “Preste João”? A resposta está nos muitos testemunhos daquela época, que retractam e projectam a gesta portuguesa. No entanto, para se compreender convenientemente a verdadeira mensagem de alguns testemunhos, é necessário possuir-se a visão dum iniciado, para ler nas sombras dos livros de pedra as mensagens que poderão desvendar os motivos que despoletaram a gesta dos Descobrimentos portugueses, os quais, surpreendentemente, podem ser bem diferentes do que a História regista e popularizou.

Sem dúvida, que a teimosa persistência na procura daquele mítico reino pelos obreiros dos descobrimentos, apesar dos muitos infrutíferos anseios, das falsas esperanças, e dos desencantos que aquela temerária procura, que por vezes, não deixaria de provocar nos seus intervenientes, leva-nos a crer que houve uma razão oculta, mais forte do que a luz que iluminou os acontecimentos que vieram à ribalta da História. Pelo que para obter-mos uma resposta aceitável, que nos possa desvendar este denso e brumoso mistério, teremos que mergulhar no mais profundo conhecimento hermético das Ordens iniciáticas, e em particular, nos segredos da Ordem de Cristo.

Assim, e à luz desses herméticos conhecimentos, reservados somente aos eleitos, aos esclarecidos e aos iluminados, podemos concluir, que para os herdeiros dos guardiães da Terra Santa da extremidade Ocidental da Europa, encontrar o reino do “Preste João” significava também restabelecer o contacto com o Templo eterno da Sabedoria. Através do qual, procuravam salvar o Ocidente da catástrofe que fora a destruição do seu próprio Templo, dado que com a chegada das trevas medievais, a luz do mundo clássico se apagou e, com o manto da escuridão se cobriu a sabedoria esotérica e o saber profundo. Pelo que os mistérios passassem a refugiar-se no Oriente, deixando assim, o Ocidente órfão da sua tradição hermética.

Assim, com aquela luz hermética a alumiar os acontecimentos Históricos, verificamos que a procura intensa e sistemática do reino do “Preste João”, tem três possíveis níveis de leitura, que estão muito relacionados com os três círculos da Ordem do Templo. São eles: o Círculo Exterior, o Círculo Intermédio e o Círculo Interior. Podemos extrapolar, que o Círculo Interior, coração do mistério da Ordem, estava mais relacionado com o campo esotérico desta, e por conseguinte, terá sido fundamentalmente composto pelos Templários que foram iniciados no Oriente. A sua estrutura hierárquica, fora provavelmente formal e externa à Ordem. Podemos também considerar que os seus membros procuravam reconstruir o Templo destruído, e que por esta razão, este círculo tinha como ambição encontrar o mítico reino do “Preste João”, para reatar os laços perdidos com os seus mestres orientais. Na verdade, este círculo tinha a perfeita consciência que ao incentivar a procura do mítico reino do “Preste João”, a cobiça e o desejo de aventura que aquela lenda provocaria a longo prazo, faria com que fosse inevitável o contacto dos europeus com outros territórios, com outras culturas, com outras experiências e outros conhecimentos. Factores que inevitavelmente fariam com que a Europa saísse das trevas medievais.

Por sua vez, o círculo intermédio, semi-esotérico, cujos membros deveriam conhecer somente certos mistérios do Templo, e por essa razão, deveriam participar em rituais precisos e muito específicos da Ordem, ansiavam pelo retorno à pureza das virtudes, e à santidade das acções. Assim, tinham como principal objectivo, o contacto com as comunidades cristãs que ainda professassem um cristianismo primitivo e gnóstico, o qual, por estar ainda num estado puro, sem a nefasta erosão que a riqueza e o poder temporal provoca nos homens, este círculo pensava que através do contacto com aqueles cristãos, recuperariam os princípios da bondade e da tolerância, tão ausentes na comunidade cristã daquela época.

Por outro lado, o Círculo Exterior, que como se sabe, com a criação da Ordem de Cristo praticamente ficou inalterado, tinha um objectivo político muito concreto e muito preciso, que se traduzia no desejo da realização duma aliança com o poderoso reino do “Preste João”, a fim de em duas frentes de combate, dar luta sem quartel aos muçulmanos, a fim de destruírem o seu predomínio no Oriente, e definitivamente reconquistarem a Terra Santa, e com esta conquista, acabarem com a sua permanente ameaça à Europa.

Assim, com estes interesses bem definidos em cada círculo da Ordem de Cristo, os seus membros abraçaram o projecto dos Descobrimentos portugueses como se fossem um desígnio divino para a própria Ordem e para todos aqueles que nele se envolvessem. Pelo que, homens de grande visão e, de grande capacidade organizativa, lideraram um trabalho metódico e continuado de cerca de oito décadas. Fazendo com que pela primeira vez na história da humanidade, a ciência passasse a ser entendida por uma "visão directa" dos factos, seguida de uma descrição dos fenómenos observados, na medida que através duma parceria entre as experiências adquiridas no mar e os estudos obtidos em terra, fora possível aos portugueses atingirem o seu objectivo épico e sem igual na história da humanidade.

Na verdade, qualquer um dos secretos objectivos mencionados, não deixa de ser um feito ousado e temerário para aquela época, dado que aqueles conturbados tempos, também foram os tempos que testemunharam as acções da "Santa" Inquisição contra os Cátaros, os quais, durante a Idade Média tardia, foram os únicos a ostentar uma igreja organizada, e capaz de enfrentar o poderio de Roma. Por conseguinte, os objectivos dos portugueses, nunca poderiam ter a aprovação do Papa. Pois, aquele nunca poderia ver com bons olhos uma aliança dos portugueses com um reino Copta, uma vez que aquele reino nunca iria aceitar que a cadeira chamada de São Pedro, em Roma, fosse o trono de todas as igrejas cristãs. Por outro lado, a Santa Sé tinha fortes e justificadas suspeitas, de que a gigante força militar e económica deste pequeno grande reino, ainda guardava conhecimentos e directrizes Templárias, contrarias aos pensamentos evangélicos de Roma. Logo, como poderia aquela Igreja aceitar o projecto épico de Portugal?

Na verdade, o plano do Infante D. Henrique, que se entrelaçava num dos círculos da Ordem do Templo, era encontrar o reino do “Preste João”, a fim de promover uma renovação na Cristandade europeia, conquistar os muçulmanos e estabelecer a harmonia entre os povos do mundo. Contudo, o projecto duma nova Cristandade nunca viria a ser concretizado, uma vez que a consciência europeia ainda estava imatura para tão ousado projecto. Pois, em vez de seguir os impulsos espirituais e, simultaneamente, adquirir uma nova consciência e oferecer de presente ao novo mundo, os navegadores europeus arrebataram-no e saquearam-no. Aliás, o maior exemplo dessa imaturidade, foram os feitos de Cortez, o primeiro dos europeus responsável pela conquista do novo mundo do modo mais brutal, mais hediondo e mais selvagem que se possa imaginar. Aquela época que foi glorificada por muitos historiadores como tendo sido a época das grandes conquistas da Europa, fez com que aquelas terminassem com a quase total exterminação de muitos povos indígenas americanos e a extinção de muitas culturas.

Todavia, depois dos jesuítas terem considerado o reino da Abissínia como sendo um falso reino do “Preste João”, aquele reino ainda não foi encontrado e, talvez nem venha a ser encontrado na Terra. Embora haja uma esperança que aquele mítico reino possa vir a ser alcançado e encontrado por aqueles que desenvolvem na força espiritual a visão da existência daquele lendário reino. E quiçá, através da onírica visão dos iluminados, se consiga localizar aquele mítico reino e, com essa descoberta, se possa trazer de volta as dádivas espirituais daquele reino. Pelo que continua a ser necessário conduzir a espécie humana a dar um passo em direcção à casa do espírito. Por isso, para além dos sonhos e das fantasias de criança, não há dúvida que o reino do “Preste João” existe em cada um de nós, principalmente, na forma da tolerância, no desejo de liberdade e na procura da senda do Bem.

Por outro lado, embora o caminho que nos conduz àquele lendário reino ainda esteja a ser procurado. Sabemos que através da navegação espiritual, que está à disposição dos iniciados, as viagens até àquele lendário reino continuam a ser feitas numa forma sistemática e continuada. Pelo que a descoberta do verdadeiro caminho, talvez não esteja muito distante dos nossos dias. Por isso, talvez não tenhamos que esperar muito até que os reais tesouros do reino do “Preste João” possam ser repartidos pela humanidade. Na verdade, a Nova Ordem Mundial que se avizinha. O Templo da Sabedoria que no dia a dia se constrói, fará com que através do conhecimento, a humanidade definitivamente se liberte de todas as formas de escravatura, de miséria e de sofrimento e, que entre numa outra realidade cósmica.

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